quarta-feira, 22 de julho de 2015

Outra sugestão

EM CÓDIGO

(Fernando Sabino)

          Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
          – Recebi, de Belo Horizonte, um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota. O senhor tem um lápis aí?
          – Tenho. Pode começar.
– Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
– Precisa de quê?
– De uma nora.
– Que história é essa?
– Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
– Continue.
– Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
– Isso é alguma brincadeira.
– Não é não. Estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
– Mas não opilado – repeti, tomando nota.  – Que diabo ele pretende com isso?
– Não sei não senhor. Mandou transmitir o recado, estou transmitindo.
– Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
         – Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é a minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo…
        – Chega! – protestei, estupefato. – Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
        – Deve ser carta em código, ou coisa parecida – e ele vacilou: Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim… Posso continuar?
        – Continua. Falta muito?
       – Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou, mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca mas também dou meus pulinhos.
         – Não tem dúvida, ficou maluco.
       – Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota… Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha.
         – Que Rocha?
– Não sei. É capaz de ser a assinatura.
– Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
– É, mas que foi ele que mandou, isso foi.
      Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei. Haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei esquecendo complemente do trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
        Agora, o material ali estava. Era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado! Rocha era o motorista, Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.

________________________________________________________
I – Marque com um X o sinônimo da palavra ou expressão destacada.

1 - Em: “É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota…”. A expressão em negrito pode ser substituída por:

( A  ) assinalar        ( B ) observar       (  C ) escrever     (  D ) guardar

2 -  Na frase: “Que história é essa?” , a palavra em negrito significa:

(  A ) fato       ( B  ) complicação      ( C  ) chateação      (  D ) anedota

3-  Em: “… pobre vive de teimoso” , a expressão em negrito pode ser substituída por:

(  A ) porque é persistente         
(  B ) porque é desobediente       
(  C ) porque é rebelde            
(  D ) porque é corajoso

4 - Em: “Isso é alguma brincadeira.”  a palavra em negrito significa:

( A  ) piada       ( B  ) passatempo      (  C ) jogo     (  D ) divertimento

5 - Em: “Foi o que eu preveni ao senhor”, a palavra em negrito significa:

( A  ) chegar antes de                  
( B  ) avisar com antecedência
( C  ) impedir que se realize        
( D  ) aconselhar com consideração

6 -  Em: “…carona, só de saia.” , a expressão em negrito pode ser entendida como:

( A  ) só se quiser usar saia      
( B  ) só se não usar calça comprida
( C  ) só se for mulher             
( D ) só se estiver de saia

7 -  Em: “Chega! – protestei, estupefato.” , a palavra em negrito significa:

( A ) afirmei      (  B ) assegurei      (  C ) reclamei      (  D ) declarei

8 -  Em: “…protestei, estupefato.” , a palavra em negrito significa:

(  A ) amedrontado    
( B  ) enraivecido        
( C  ) desolado      
( D  ) abobalhado

9 -  Em: “Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.” , a expressão em negrito tem o mesmo significado que:

( A  ) como pessoa desocupada       
( B  ) como quem não quer nada
( C  ) como irresponsável                  
( D  ) como bobo

10 - Em: “Deve ser carta em código…” , a expressão em negrito pode ser entendida como:

(  A ) sinais secretos             
( B  ) fórmulas mágicas       
( C  ) letras diferentes           
( D  ) palavras de outra língua

11 -  Em: “… e ele vacilou…”  a palavra em negrito significa:

( A  ) caminhou sem firmeza        
( B  ) mostrou-se inseguro        
( C  ) estremeceu          
( D  ) abalou-se

12 -  Em: “…quem fala de mim tem mágoa…” , a palavra  em negrito significa:

(  A ) pena      (  B ) sofrimento      (  C ) inveja       (  D ) raiva

13 -  Em: “Desliguei atônito…”  a palavra em negrito significa:

( A  ) atordoado        
( B  ) amedrontado          
( C  ) enfurecido        
( D  ) revoltado

14 - Em: “… e viaja sempre pelo interior…”, a palavra em negrito significa:

( A  ) que está dentro de            
( B  ) regiões distantes da capital        
( C  ) que é interno de        
( D ) que se situa entre

15 -  Em: “…fiscalizando obras…” , a palavra em negrito significa:

( A  ) vigiando     ( B  ) examinando    (  C ) velando     ( D  ) cobrando

16. Em: “…recolhendo em suas andanças…”, a palavra em negrito significa:

( A  ) recebendo      ( B  ) levando      ( C  ) classificando       ( D  ) reunindo
17 -  Em: “… suas andanças…”  a palavra em negrito tem o mesmo significado que em:

( A  ) negócios    (  B ) trabalhos     ( C  ) viagens     ( D  ) passos

18 -  Em: “…acabei me esquecendo completamente do trato…”  a palavra em negrito significa:

(  A ) contrato      (  B ) acordo        (  C ) tratamento          (  D ) promoção

19 -  Em: “…na suposição de que o mesmo lhe acontecera…” , a palavra em negrito significa:

( A  ) ideia          (  B ) observação          ( C  ) opinião         ( D  ) atenção

20 -  O nome da crônica está ligado a uma frase enunciada pelo:

( A  ) moço do escritório         
( B  ) narrador           
( C ) irmão do narrador          
( D ) motorista de caminhão

21. - O rapaz do escritório, não tendo entendido a mensagem, refere-se a ela como sendo:

( A  ) um recado maluco                        
( B  ) um recado confuso e longo
( C  ) uma brincadeira esquisita        
(  D ) uma carta interessante

22 -  Ao dizer: “Isso é alguma brincadeira” , o narrador está pensando que:

( A  ) estão querendo zombar dele          
( B  ) seu irmão ficou maluco
( C  ) a mensagem é divertida                  
( D ) o recado não é para ele

23 -  A palavra opilado refere-se à pessoa doente de opilação – doença provocada por uma espécie de parasita que se aloja no intestino e se alimenta de sangue, provocando, na pessoa doente, uma cor amarelada. A opilação é conhecida popularmente entre outros nomes, como amarelão. Na frase: “Sou amarelo, mas não opilado…” pode-se entender essa afirmação como:

( A  ) minha doença não é amarelão                                                 
( B  ) minha cor amarela não é sinal de amarelão
( C  ) minha cor não é tão forte como a cor do amarelão             
( D  ) minha cor lembra a cor do amarelão

24 - Na frase: “Não sou colgate, mas ando na boca de muita gente”  a expressão em negrito pode ser entendida como:

(  A ) Não sou famoso                 
(  B ) Não sou fofoqueiro        
( C  ) Não sou pasta de dentes     
( D  ) Não sou dentista

25 -  “Poeira é a minha penicilina”  é uma das frases que o irmão do narrador anotou de para choques de caminhões. Em relação ao motorista que a usou como lema, podemos pensar que ela quer dizer:

( A  ) A poeira me causa alergia
( B  ) Não me incomodo com a poeira
( C  ) Em mim, a poeira age como um tipo de remédio
( D  ) A poeira é uma espécie de companheira de viagens

26 - Quando o moço do escritório diz:”…dever ser carta em código…” , percebemos que ele:

(  A ) pensa que a mensagem é uma brincadeira do irmão do narrador
(  B ) considera a mensagem muito difícil para ele
(  C ) não gostou da mensagem
(  D ) pensa que a mensagem só pode ser entendida por pessoas que conheçam a linguagem usada

27 -  Após receber o recado, como se sentiu o narrador, o que fez e para que o fez?
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

28 -  O narrador queria pensar melhor sobre o quê e para quê?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

29 - Ao dizer, no final do texto, que seu irmão havia prometido conseguir “farto e variado material”(linha 49), a que material se refere o narrador e a que se destinava esse material?
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

30 -  A que se refere o narrador ao dizer “Tudo explicado” e o que foi explicado?
 ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

GABARITO
1- C      2- D     3- A     4- A      5- B      6- C     7- C       8- D     9- D     
10- A      11.-B     12- C    13- A     14- B     15- B    16- D    17- C     18- B   19- A     20- A    21- B      22- A      23- B     24- C      25- C      26- D
As respostas das questões 27 a 30 poderão ter sido dadas com outras palavras. O importante é ter mantido a ideia que o texto apresenta.
27 - Após receber o recado, o narrador sentiu-se confuso, atordoado, e procurou refrescar o rosto com água fria para aclarar as ideias.
28 - O narrador queria pensar melhor no recado recebido para ver se compreendia o que o irmão lhe queria dizer com o recado.
29 - O narrador refere-se às frases comumente encontradas em parachoques de caminhões  que o irmão lhe prometera conseguir e que lhe serviriam para escrever a crônica encomendada.

30 - O narrador refere-se à compreensão da mensagem toda e, em especial, da frase “Deus, eu e o Rocha”, uma vez que ele pôde entender que “eu” era o caminhão e “Rocha”, o nome do motorista.
HISTORINHA URBANA

         – Pare na esquina – disse o passageiro.
O chofer obedeceu.
– São cinco reais – informou ele, indicando os números antes de fazer o taxímetro voltar a zero. O passageiro estendeu-lhe uma nota de dez:
– Cobre aqui.
O motorista balançou negativamente a cabeça:
– Não tenho troco – disse.
– E como é que vamos fazer? – perguntou o passageiro. – Se houvesse alguém aí em casa… Mas está todo mundo viajando e o dinheiro mais miúdo que eu tenho é essa nota de dez.
– Bem - falou o chofer – o jeito é a gente procurar onde trocar essa nota.
– Sim, acho que é a única coisa que se pode fazer - concordou o passageiro.
O táxi arrancou quase num salto.
– Por aqui não vai ser nada fácil encontrar quem troque – disse o passageiro, reajustando os rins abalados pela arrancada. – Ainda mais hoje, domingo, com quase tudo fechado.
Rodaram algum tempo em silêncio. Depois o chofer falou:
– Vamos ver se conseguimos trocar naquela quitanda lá adiante.
Não conseguiram.
– Acho que esse cara está é com má vontade – disse o chofer quando retornaram ao carro.
– Talvez  ele não tenha mesmo troco – disse o passageiro.
– Então experimento trocar comprando uma carteira de cigarro.
– Eu não fumo - respondeu o passageiro.
– Então… compre qualquer coisa.
– Que coisa?
– Bom… Que tal uma garrafa de cachaça?
Não havia troco. A garrafa continuou na prateleira, para decepção do chofer. Voltaram ao táxi. Daí por diante, infelizmente, estava tudo fechado. O passageiro se sonhava em casa, depois de uma longa chuveirada, lendo o jornal comodamente instalado na sua poltrona predileta, quando o chofer voltou a falar.
– Bom, acho que estamos novamente no ponto de partida – disse ele.
– É - concordou melancolicamente o passageiro. – Foi logo ali adiante que eu tomei o seu táxi.
– Isso quer dizer que não há mais problema – falou o chofer.
– Não? - perguntou o passageiro.
– Claro que não. Daqui pra sua casa a corrida deu cinco reais, não foi?
– Foi.
– Então, embora o taxímetro esteja desligado, sabemos que uma corrida de sua casa para cá também dá cinco reais. Sendo assim, não precisamos mais trocar o dinheiro: são exatamente dez  reais. Eu dispenso o quebrado a mais do tempo em que ficamos parados naquela quitanda.
O passageiro sentiu-se subitamente aliviado. Entregou a nota de dez ao chofer, agradeceu, saltou do táxi – e foi a pé para casa.

RUY ESPINHEIRA FILHO. Sob o último sol de fevereiro. Civilização Brasileira, 1975, Rio de Janeiro.


1 -  Relacione a frase ao significado apresentado da palavra nota:

(A)  O passageiro estendeu-lhe uma nota de dez.
(B) O freguês apresentou a nota das compras.
(C) O violinista acertou as notas executadas no concerto.
(D)  O professor informou a nota do aluno.

 (   ) resultado numérico do aproveitamento de um aluno na escola
(  ) sinal que representa um som, na música.
(   ) relação de mercadoria com quantidade e preço.
(  ) papel que representa moeda, dinheiro.


2 - Para que serve o taxímetro?
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

3 - O passageiro não tinha dinheiro trocado e o motorista não tinha troco. Na sua opinião, qual deles é o principal causador do impasse?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

4 - Todas as sugestões para resolver a questão partiram do motorista. Isso demonstra que:
(  A ) o motorista se sentia culpado
(  B ) o passageiro era passivo e acomodado
( C  ) o motorista queria lucrar com a situação
( D  ) o passageiro pretendia não pagar a corrida.

5 -  Se você fosse o passageiro, que solução apresentaria logo no início para resolver o problema?
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

6 - Observamos pelo desenvolvimento do texto que o passageiro:

( A  ) não fumava nem bebia bebida alcoólica
( B  ) não fumava, mas bebia
( C  ) fumava e bebia
( D  ) fumava mas não bebia


7 - De acordo com o texto, conclui-se que o motorista:

(  A ) não fumava nem bebia bebida alcoólica
( B  ) não fumava, mas bebia
( C  ) fumava e bebia
( D  ) fumava mas não bebia

8 - Justifique sua resposta à questão anterior.
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

9 - Quando o chofer apresentou a última solução, o passageiro sentiu-se aliviado. Por que se sentiu aliviado se estava outra vez no mesmo lugar do início da corrida?
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

10 - Na sua opinião, a última solução apresentada pelo motorista foi correta? Justifique.
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Gabarito:
1 ( D)      ( C )      ( B )    ( A )
2: Serve para indicar o valor a ser pago baseado na distância percorrida e no tempo utilizado no transporte de pessoas.
3: Por lei é o vendedor que tem de fornecer o troco. No caso do texto, a responsabilidade é do motorista e não do passageiro.
4: B
5: Resposta pessoal.
6:  A
7: B
8: O texto informa que o motorista ficou decepcionado por não ter sido possível comprar a garrafa de cachaça. Provavelmente ele queria bebê-la.
9: Porque se viu livre do problema do troco.

10: Resposta pessoal.



O preço de um cheiro


Um camponês foi à cidade vender seus produtos. Ao regressar, parou em uma pousada para descansar.
— O que deseja? — perguntou o dono, solícito.
— Um pouco de pão e vinho, por favor. Enquanto o dono atendia ao seu pedido, o camponês passou a observar o local. Havia no fogo uma carne que exalava um aroma    irresistível. Ele ficou com vontade de saborear o assado, mas não tinha tanto dinheiro...
Depois de um momento o dono da pousada voltou para trazer-lhe o pão e o vinho. O camponês bebeu o vinho, mas seus olhos não desgrudavam da carne suculenta. De repente, ele teve uma ideia: colocar o pão no vapor que subia do assado, para umedecê-lo. No momento em que ia experimentar o pão, foi interrompido por um grito:
— Você se acha muito esperto, não é? — disse o dono, zangado. — Terá de me pagar por isso também!
— Eu não lhe devo nada além do pão e do vinho — disse o camponês surpreso.
— E o cheiro da carne, não custa? — retrucou o dono, zangado.
— O cheiro da carne? — repetiu o camponês, espantado.
— Mas isso não custa nada!
— Como não custa nada? Tudo o que existe aqui é meu, inclusive o cheiro do assado!
A discussão chamou a tenção de um freguês.
— Quanto você quer pelo cheiro do assado?
— Cinco moedas! — disse o dono, satisfeito.
—Tenha dó! — exclamou o camponês, tirando o dinheiro do bolso. — Isso é tudo que eu ganhei por um dia de trabalho...
O freguês pegou as moedas do camponês e sacudiu-as diante de todos.
— Ouviu isso? Pronto! Já está pago.
— Como assim, já está pago? — admirou-se o dono.
— Por acaso este pobre camponês comeu a carne? Não! Apenas sentiu o cheiro do assado. Para pagar pelo cheiro do assado basta o som moedas!
Diante da risada geral, o dono da pousada ficou sem razão e concordou em não cobrar nada do camponês. E pior: ainda fez papel de bobo!

Conto popular


1) Assinale a frase que apresenta o mesmo sentido de:

(    )  “A carne exalava um aroma irresistível.”
(    )    A carne liberava um cheiro estranho.
(    )    A carne liberava um odor insuportável.
(    )    A carne liberava um odor agradável a que não se podia resistir.


2) O    dono da pousada perguntou solícito: “O que deseja?”
Sabendo que solícito significa prestativo, prestimoso, pronto para servir, assinale o tom de voz que ele usou.

(  ) áspero

(    ) rude
(   ) educado
(   ) grosseiro

3) Numere os fatos na ordem em que aconteceram.

(    )  O freguês explica que o camponês pode pagar o cheiro com o barulho das moedas.

(   )  O dono da pousada cobra pelo cheiro da carne e o camponês se recusa a pagá-lo.
(   )  O camponês coloca seu pão no vapor que sobe da carne.
(  )  Um freguês ouve a conversa entre os dois homens e sacode as moedas do camponês.
(  )  O camponês sente cheiro de carne assada.

4) a) É correto pagarmos pelo cheiro de algum alimento? Justifique.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
     b) E pelo aroma de um perfume, quando devemos pagar?
 _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

5) Com base no texto, faça um comentário sobre a atitude tomada pelo freguês que assistia à discussão do dono da pousada com o camponês
 ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

6) Escreva ao lado de cada ação a que personagem se refere. 

Ação
Personagem
Defendeu o camponês 

Atendeu o camponês 

Chacoalhou as moedas 

Colocou o pão no vapor 

Cobrou pelo cheiro 

Bebeu o vinho 



7) Passe o 6º parágrafo para o plural. 
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

8 -  Agora escreva a história com suas palavras, no caderno, e faça uma ilustração para ela.



    
A FLAUTA E O SABIÁ

      Coelho Neto

       Em rico estojo de veludo, pousado sobre uma mesa de charão, jazia uma flauta de prata. Justamente por cima da mesa, em riquíssima gaiola suspensa ao teto, morava um sabiá. Estando a sala em silêncio, e descendo um raio de sol sobre a gaiola, eis que o sabiá, contente, modula uma ária.
      Logo a flauta escarninha põe-se a casquinar no estojo como a zombar do módulo cantor silvestre.
       - De que te ris? indaga o pássaro.
        E a flauta em resposta:
        - Ora esta! pois tens coragem de lançar guinchos diante de mim?
        - E tu quem és? ainda que mal pergunte.
       - Quem sou? Bem se vê que és um selvagem. Sou a flauta. Meu inventor, Mársias, lutou com Apolo e venceu-o. Por isso o deus despeitado o imolou. Lê os clássicos.
       - Muito prazer em conhecer... Eu sou um mísero sabiá da mata, pobre de mim! fui criado por Deus muito antes das invenções. Mas deixemos o que lá foi. Dize-me: que fazes tu?
       - Eu canto.
       - O ofício rende pouco. Eu que o diga que não faço outra coisa. Deixarei, todavia, de cantar - e antes nunca houvesse aberto o bico porque, talvez, sendo mudo, não me houvessem escravizado - se, ouvindo a tua voz, convencer-me de que és superior a mim. Canta! Que eu aprecie o teu gorjeio e farei como for de justiça.
       - Que eu cante?!...
       - Pois não te parece justo o meu pedido?
       - Eu canto para regalo dos reis nos paços; a minha voz acompanha hinos sagrados nas igrejas. O meu canto é a harmoniosa inspiração dos gênios ou a rapsódia sentimental do povo.
       - Pois venha de lá esse primor. Aqui estou para ouvir-te e para proclamar-te, sem inveja, a rainha do canto.
       - Isso agora não é possível.
       - Não é possível! por quê?
       - Não está cá o artista.
       - Que artista?
       - O meu senhor, de cujos lábios sai o sopro que transformo em melodia. Sem ele nada posso fazer.
       - Ah! é assim?
       - Pois como há de ser?
       - Então, minha amiga - modéstia à parte - vivam os sabiás! Vivam os sábias e todos os pássaros dos bosques, que cantam quando lhes apraz, tirando do próprio peito o alento com que fazem a melodia. Assim da tua vanglória há muitos que se ufanam. Nada valem se os não socorre o favor de alguém; não se movem se os não amparam; não cantam se lhes não dão sopro; não sobem se os não empurram. O sabiá voa e canta - vai à altura porque tem asas, gorjeia porque tem voz. E sucede sempre serem os que vivem do prestígio alheio, os que mais alegam triunfos. Flautas, flautas... cantam nos paços e nas catedrais... pois venha daí um dueto comigo.
       E, ironicamente, a toda a voz, pôs-se a cantar o sabiá, e a flauta de prata, no estojo de veludo... moita.
       Faltava-lhe o sopro.


1  - Do texto, pode-se inferir que a cena começa:

a)     num recinto em silêncio.
b)     ao ar livre, numa varanda iluminada pelo sol.
c)     no paço real, com um festa oferecida pelos cortesãos para regalar o monarca.
d)     no adro de uma igreja, ao som dos hinos sagrados.
e)      na prateleira de uma das salas ensolaradas de uma ruidosa loja de instrumentos musicais.

2 -  Dentre as seguintes expressões proverbiais, indique aquela que melhor se aplica ao texto "A flauta e o sabiá":

a) Gato escaldado tem medo de água fria.
b) Não se deve fazer continência com o chapéu alheio.
c) Patrão fora, feriado na loja.
d) Mais vale um pássaro na mão que dois voando.
e) Santo de casa não faz milagre.


3 - Dentre as seguintes passagens do texto, assinale a que justifica o contentamento do sabiá:

a)      "... riquíssima gaiola suspensa ao teto...".
b)     "... sobre uma mesa de charão, jazia uma flauta... por cima da mesa... morava um sabiá...".
c)     "... descendo um raio de sol sobre a gaiola ...".
d)     "Estando a sala em silêncio...".
e)     "... o sabiá, contente, modula uma ária".

4 -  No texto, a expressão o deus refere-se a:

a) Apolo (o deus do sol)                      d) Deus (criador do sabiá)
b) Mársias (o gênio da flauta)            e) o Senhor da flauta
c) Orfeu (o deus da música)


5 - Com a frase Lê os clássicos, a flauta está sugerindo que o sabiá:

a)    conheça os autores que foram contemplados com o Prêmio Nobel de literatura.
b)     desconhece os compositores de música clássica.
c)    deve ler os principais "best-sellers".
d)      ignora a cultura greco-latina.
e)     lê os clássicos brasileiros.


6 - O sabiá desafiou a flauta a cantar porque:

a)    quem canta para reis devotos nas igrejas canta para qualquer pessoa.
b)     as flautas foram inventadas para cantar.
c)      cantar era uma arte própria da flauta.
d)    ele mesmo não conseguiria abrir o bico.
e)     a flauta havia menosprezado o talento dele.

Gabarito
1-.a; 2-b; 3-c; 4-a; 5-d; 6-e.