sábado, 15 de fevereiro de 2014

Interpretação de texto (crônica)

Interpretação de texto (crônica)


N0me; _______________________________ 5º ano _____


Chatear e encher

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”.
Chatear é assim:
Você telefona para um escritório qualquer na cidade.
– Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?
– Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo:
– O Valdemar, por obséquio.
– Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
– Mas não é do número tal?
– É, mas aqui não trabalha nenhum Valdemar.
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
– Por favor, o Valdemar já chegou?
– Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou
aqui?
– Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
– Não chateia.
Daí a dez minutos, liga de novo.
– Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?
O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.
Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:
– Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?

CAMPOS, Paulo Mendes.


1 -  O que acontece nas conversas que provocam a impaciência de quem atende o telefone?
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2 -  Quais são as dicas dadas no texto para chatear quem atende o telefone?
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3 -  Quando a situação descrita deixa de chatear e passa a encher quem atende, segundo o narrador?
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4 -  A situação descreve um trote por telefone. Explique com suas palavras o que é um trote.
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5 -  Releia este trecho.

O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

- Por que as coisas ditas por quem recebe o trote são impublicáveis?
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- Onde não poderiam ser publicadas?
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- O que a pessoa que recebia o trote estava sentindo naquele momento
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6 -  No início da conversa pelo telefone as repostas de quem atende são educadas. No decorrer das ligações essa relação se mantém ou se modifica? Por quê?
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7 -  Cite um dos recursos que aparecem nessa crônica para provocar humor.

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8 -  Você já recebeu um trote ou conhece alguém que recebeu? Você acha essa história possível de acontecer no dia a dia?
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9 -  Assinale as alternativas que melhor explicam as características de uma crônica.

( ) O cenário onde os acontecimentos se desenvolvem são espaços familiares aos personagens.
( ) O humor é uma característica marcante.
( ) Os acontecimentos não se referem a fatos comuns ao dia a dia das pessoas.
( ) Os personagens são seres humanos normais como qualquer um de nós.
( ) As crônicas narram fatos comuns ao dia a dia.

10  - O texto lido contém muitos diálogos, o que é comum ocorrer nas crônicas. Porém, também é possível que o narrador descreva as conversas e o as ações que quer contar. Transforme o diálogo abaixo somente usando narrador.

– Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?
– Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo:
– O Valdemar, por obséquio.
– Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
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Produção de texto

1  -  Escolha uma situação do seu dia a dia que tenha sido estranha ou engraçada e escreva uma crônica, contando como tudo aconteceu.

Siga o roteiro:
- Pense nas personagens, ou seja, nas pessoas do seu dia a dia que farão parte da sua história.
- Pense em um cenário atual, de preferência urbano.
- Escolha um fato simples, mas que tenha sido engraçado. Lembre-se: o acontecimento que você presenciou é apenas uma inspiração. Você pode inventar alguns trechos e exagerar em outros para deixar o texto com mais humor.

2. Escreva sua crônica e depois revise a pontuação, prestando atenção na forma de organizar os diálogos.



se uma coisa e eu fiquei pensando.(3ª pessoa do singular, tempo presente)
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A outra noite

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
– Mas, que coisa. . .
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
– Ora, sim senhor. . .
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

(BRAGA, Rubem. A outra noite. In: PARA gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1979.




Após ler o texto, assinale a alternativa correta nas questões 1 e 3 e responda as demais:

1 - Como era a noite vista pelo taxista e pelo amigo do narrador?

(   ) calor e chuva                (   ) vento e chuva                        
(   ) luar lindo                       (   ) lua cheia

2 - Como era a noite para o narrador?­­­­­­

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3 - Considerando a maneira como é narrada, a reação do taxista (no final), pode-se inferir que ele ficou:

(   ) sensibilizado com a conversa                                            
(   ) curioso por mais informações.
(   ) agradecido com o presente.                                              
(   ) desconfiado com o pagamento

4 -  A outra noite a que o título se refere seria a vista somente pelo narrador ou aquela que o taxista e seu amigo enxergavam?
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5 - O que faz com que diferentes personagens vejam  diferente noites?

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6 -  Que fato do cotidiano a crônica que você leu explora?

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7 -  Nesse texto, o narrador é personagem? Justifique sua resposta copiando um trecho do texto.

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 Gabarito
1.(X ) vento e chuva
2. Um luar lindo, e as nuvens lá de cima eram alvas, uma paisagem irreal.
3. ( X) sensibilizado com a conversa
4. Vista pelo narrador
5. Cada pessoa tem seu ponto de vista, de acordo com sua visão de mundo.
6. Uma conversa banal sobre o tempo durante uma corrida de táxi.
7. Sim, é personagem, indicado pelo uso da 1ª pessoa:

“Outro dia fui a São Paulo...”
...”meu amigo”
“E, quando saltei...”
 



Domingão
Márcia Paganini Cavéquia


Domingo, eu passei o dia todo de bode. Mas, no começo da noite, melhorei e resolvi bater um fio para o Zeca.
       - E aí, cara? Vamos no cinema?
       - Sei lá, Marcos. Estou meio pra baixo...
      - Eu também tava, cara. Mas já estou melhor.
      E lá fomos nós. O ônibus atrasou, e nós pagamos o maior mico, porque, quando chegamos, o filme já tinha começado. Teve até um mane que perguntou se a gente tinha chegado para a próxima seção.
       Saímos de lá, comentando:
       - Que filme massa!
       - Maneiro mesmo!
       Mas já era tarde, e nem deu para contar os últimos babados pro Zeca. Afinal, segunda-feira é dia de trampo e eu detesto queimar o filme com o patrão. Não vejo a hora de chegar o final de semana de novo para eu agitar um pouco mais.


1) Você conseguiu entender o texto acima?

2) Em sua opinião todas as pessoas que lerem o texto conseguirão compreendê-lo? Por quê?

3) Você saberia explicar o significado de cada uma das gírias do texto acima? Vamos tentar?

4) Agora, depois de tentar descobrir o significado das gírias, reescreva o texto de acordo com suas sugestões.




Um jogo que é uma vergonha
  

Imagina um jogo deste jeito: o campo é de pedra bem pontuda e acontece num dia muito frio. Num time, os jogadores têm tênis e camisa de manga comprida e, no outro, os caras jogam descalços e só de calção.
O time que tem tênis e camisa ganha fácil, dá aquela goleada! O outro fica a maior parte do tempo tomando cuidado pra não cortar os pés ou então esfregando o braço arrepiado de frio.
Times iguais.
Pra mim, a diferença da vida entre nós, que temos escola e casa e as crianças que não têm é um jogo assim. Quem não tem, perde sempre.
Não acho que todo mundo que tem as coisas é culpado por causa dos outros que não têm, mas isso não quer dizer que a gente não possa fazer nada. Porque pode.
Porque, se a gente quiser jogar um jogo justo, pode exigir que os dois times sejam iguais, para começar. Casa e escola.
Não acredito que as crianças de rua viveriam na rua se tivessem outro lugar melhor pra escolher. Se a gente não exigir que todo mundo tenha casa e escola, vai sempre ficar jogando esse jogo besta.
Ganhando de dez a zero de um time tão fácil, mas tão fácil, que não vai mais ter o gosto da vitória, vai ter só vergonha.

                                                                              Fernando Bonassi

Fonte:  (In Vida da gente – crônicas publicadas no Suplemento Folhinha de S. Paulo) - 07/02/97.



1       -  O texto “1 jogo que é uma vergonha” é uma crônica. Foi escrito a partir de uma situação da vida real, com o objetivo de fazer uma crítica a essa situação. Se o autor teve esse objetivo ao escrever, que objetivo tem em relação ao leitor?

(   ) que aceite suas ideias.
(   ) que rejeite suas ideias.
(   ) que reflita sobre o assunto.
(   ) que se divirta com o assunto.

2 -  O trecho: “Num time, os jogadores têm tênis e camisa de manga comprida” e, no outro, os caras jogam descalços e só de calção”.

Significa que:

(  ) um time toma cuidado para não cortar os pés, o outro time sente muito calor.
(  ) um time têm tênis e o outro time tem camisa.
(  ) um time é formado por jogadores bem equipados, o outro time por jogadores mal equipados.
(  ) um time tem jogadores ganhadores, o outro têm jogadores que usam tênis e camisa comprida.

3 - Esta crônica, de fato, compara:

(  ) a vida de pessoas que têm escola e casa com a vida de crianças que não têm escola e casa.
(  ) vida de crianças que têm casa com a vida de crianças que têm escola.
(   ) crianças que são culpadas com crianças que são inocentes.
(   ) crianças que podem fazer tudo com crianças que não fazem nada.

4 -  Quando o autor diz:

nós que temos escola e casa”
e “isto não quer dizer que a gente não possa fazer nada”,

As palavras “nós” e “a gente” ocupam o lugar:

(   ) do autor e de todos os leitores.
(   ) dos leitores que são conhecidos do autor.
(   ) dos ricos.
(   ) do leitor.

5 -  De acordo com o autor da crônica, diante da situação que é discutida:

(   ) “a gente” não pode fazer nada.
(   ) “a gente” pode fazer uma aposta.
(   ) “a gente” pode jogar.
(   )  “a gente” pode jogar um jogo justo.

6 - Quando o autor fala sobre “jogo justo”, ele quer dizer que:

(   ) as pessoas podem jogar mesmo sem saber.
(   ) as pessoas justas às vezes perdem.
(   ) as pessoas  jogam um jogo besta.;
(   ) as pessoas podem ajudar a fazer justiça.

7 -  O tema central da crônica é:

(   ) desigualdade.
(   ) miséria.
(   ) futebol.
(   ) crianças de rua.





Leia o texto com muita atenção para responder as questões de 1 a 12.

OS NAMORADOS DA FILHA

Quando a filha adolescente anunciou que ia dormir com o namorado, o pai não disse nada. Não a recriminou, não lembrou os rígidos padrões morais de sua juventude. Homem avançado,  esperava que aquilo acontecesse um dia. Só não esperava que acontecesse tão cedo.
Mas tinha uma exigência, além das clássicas recomendações. A moça podia dormir com o namorado:
─ Mas aqui em casa.
Ela, por sua vez, não protestou. Até ficou contente. Aquilo resultava em inesperada comodidade. Vida amorosa em domicílio, o que mais podia desejar? Perfeito.
O namorado não se mostrou menos satisfeito. Entre outras razões, porque passaria a partilhar o abundante café da manhã da família. Aliás, seu apetite era espantoso: diante do olhar assombrado e melancólico do dono da casa, devorava toneladas do melhor requeijão, do mais fino presunto, tudo regado a litros de suco de laranja.
Um dia, o namorado sumiu. Brigamos, disse a filha, mas já estou saindo com outro. O pai pediu que ela trouxesse o rapaz. Veio, e era muito parecido com o anterior: magro, cabeludo, com apetite descomunal.
Breve, o homem descobriria que constância não era uma característica fundamental de sua filha. Os namorados começaram a se suceder em ritmo acelerado. Cada manhã de domingo, era uma nova surpresa: este é o Rodrigo, este é o James, este é o Tato, este é o Cabeça. Lá pelas tantas, ele desistiu de memorizar nomes ou mesmo fisionomias. Se estava na mesa do café da manhã, era namorado. Às vezes, também acontecia ─ ah, essa próstata, essa próstata ─ que ele levantava à noite para ir ao banheiro e cruzava com um dos galãs no corredor. Encontro insólito, mas os cumprimentos eram sempre gentis.
Uma noite, acordou, como de costume, e, no corredor, deu de cara com um rapaz que o olhou apavorado. Tranquilizou-o:
         ─ Eu sou o pai da Melissa. Não se preocupe, fique à vontade. Faça de conta que a casa é sua.
E foi deitar.
Na manhã seguinte, a filha desceu para tomar café. Sozinha.
─ E o rapaz? ─ perguntou o pai.
─ Que rapaz? ─ disse ela.
Algo lhe ocorreu, e ele, nervoso, pôs-se de imediato a checar a casa. Faltava o CD player, faltava a máquina fotográfica, faltava a impressora do computador. O namorado não era namorado. Paixão poderia nutrir, mas era pela propriedade alheia.
Um único consolo restou ao perplexo pai: aquele, pelo menos, não fizera estrago no café da manhã.

Moacyr Scliar (Crônica extraída da Revista Zero Hora, 26/4/1998, e contida no livro Boa Companhia: crônicas, organizado por Humberto Werneck, São Paulo: Companhia das Letras, 2006, 2. reimpressão, pp. 205-6.)

1 -  No texto, procure uma palavra que possa substituir os termos grifados nas frases abaixo sem alterar o sentido.

a)      “Não a censurou, não lembrou os rígidos padrões morais de sua juventude.” ________________________

b)      “Encontro inusitado, mas os cumprimentos eram sempre gentis.” ________________________________

2 -  Qual é o tipo de crônica escrita por Moacyr Scliar?

(a) narrativa              (b) reflexiva            
(c)  lírica                    (d) crônica-ensaio

3 -  Essa crônica contém elementos predominantemente narrativos. Agora localize no texto cada um desses elementos.

a)   Situação inicial __________________________________
b)   Conflito ________________________________________
c)   Clímax _________________________________________
d)  Desfecho _______________________________________ 

4 -  Quais são os personagens desse texto? 

5 -   Qual o cenário onde a história acontece? 

6 - Como podemos classificar o tempo? Cronológico ou psicológico?

7 - Como se apresenta o narrador e o foco narrativo  nessa crônica? 

8 - Por que o pai da jovem era realmente um homem avançado? 

9 - Qual é o tema retratado nessa crônica?

10 -  Como podemos classificar o tipo de discurso?

11 - Qual o objetivo desse texto? 

12 -  Qual é sua opinião a respeito do comportamento da adolescente do texto?


Relembrando

TIPOS DE CRÔNICA
           
1- Crônica narrativa
Conta episódios cativantes cuja trama envolve muita ação, poucas personagens e um desfecho imprevisível. Esse tipo de crônica pode apresentar teor anedótico, crítico ou lírico.

2- Crônica lírica ou poética
Apresenta uma linguagem poética e metafórica. Nela predominam emoções, os sentimentos (paixão, nostalgia, saudades), traduzidos numa atitude poética.

3-Crônica reflexiva
O autor tece reflexões filosóficas, isto é, analisa os mais variados assuntos do cotidiano através de impressões e inferências.

4- Crônica metalinguística
É a crônica que fala do próprio ato de escrever, o fazer literário, o ato da criação.

5-Crônica humorística
São sátiras da vida em sociedade, ampliando seus problemas de forma caricatural
para reduzi-los ao humor.

6- Crônica Dissertativa
Opinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" (em vez de "segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo"). Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural

7- Crônica Descritiva
É o tipo de crônica que explora a caracterização de seres animados e inanimados num espaço. Preciso como uma fotografia ou dinâmico como um filme.

8- Crônica Jornalística
É a crônica que apresenta aspectos particulares de notícias ou fatos. Pode ser policial, esportiva ou política.

9- Crônica Histórica
É a crônica baseada em fatos reais ou fatos históricos.

10- Crônica narrativo-descritiva
Quando um texto alterna momentos narrativos com flagrantes descritivos, temos uma abordagem narrativo- descritiva. Dessa forma, as ações detêm-se para que o leitor visualize, mentalmente, as imagens que a sensibilidade do autor registra com palavras. O que se observa no texto assim qualificado é a predominância da sucessão de ações sobre as inserções descritivas.

11- Crônica-comentário
Cercando-se de impressões críticas, com ironia, sarcasmo ou humor, a crônica-comentário resulta num texto cujo ponto forte são as interpretações do autor sobre um determinado assunto, numa visão quase jornalística.

12- Crônica-ensaio
Apesar de ser escrita em linguagem literária, ter uma veia humorística e valer-se inclusive da ficção, este tipo de crônica apresenta uma visão abertamente crítica da realidade cultural e ideológica de sua época, servindo para mostrar o que autor quer ou não quer de seu país. Aproxima-se do ensaio, do qual guarda o aspecto argumentativo.




O HOMEM NU


A crônica que você vai ler, de Fernando Sabino, foi retirada de uma coletânea do autor. Como você já viu, crônicas são textos curtos que tratam de fatos cotidianos, escritos em linguagem leve e descontraída.


O Homem Nu
Fernando Sabino

        Ao acordar, disse para a mulher:
        — Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
        — Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
        — Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.   Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
        Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
        Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
        — Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
        Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
        Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão!
        Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
        — Maria, por favor! Sou eu!
        Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
        Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
        — Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado.
        E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
        — Isso é que não — repetiu, furioso.
        Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
        — Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
         Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
        — Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso.  — Imagine que eu...
        A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
        — Valha-me Deus! O padeiro está nu!
        E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
        — Tem um homem pelado aqui na porta!
        Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
        — É um tarado!
        — Olha, que horror!
        — Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
        Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
        — Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
        Não era: era o cobrador da televisão.

Esta é uma das crônicas mais famosas do grande escritor mineiro Fernando Sabino. Extraída do livro de mesmo nome, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 65


Glossário

Vigarice: Ato de trapaça; fraude.
Lanço: Parte de uma escada entre dois patamares sucessivos; o mesmo que lance.
Grotesco: Ridículo, extravagante.
Encetar: Iniciar, começar.
Em pelo: Nu, pelado.
Pesadelo de Kafka: Referência ao escritor checo Franz Kafka, que criou histórias fantásticas com toques de terror e situações incomuns. Muitas vezes, seus personagens se sentiam assustados e em agonia, como se vivessem um pesadelo.
Regime do Terror. Referência ao período da Revolução Francesa compreendido entre 31 de maio de 1793 e 27 de julho de 1794, em que milhares de pessoas foram executadas na guilhotina por se oporemao governo e às ideias de Maximilien de Robespierre.
Estarrecida. Espantada, horrorizada, perplexa.
Radiopatrulha. Veículo da polícia, equipado com rádio.

Compreensão do texto e análise da organização do enredo

1 -     O título da crônica é O homem nu. Que outro título você poderia atribuir ao assunto do texto?

2 -    O texto foi escrito no início da década de 1960. Que fatos ou situações nos permite concluir que a história não se passa nos dias de hoje?

3 -    Por que o homem ficou nu?

4 -    Por que a mulher não abriu a porta do apartamento quando a campainha tocou?
       
5 -    No quarto parágrafo do texto, o homem afirma:

             — Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas          obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que       não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

      A atitude dele está de acordo com sua afirmação? Por quê?


6 -     Por que a vizinha gritou que o padeiro estava nu?

7 -    No final da história, o homem teve de encarar o cobrador da televisão. Escreva uma possível desculpa que ele poderia dar para não pagar a prestação.

8 -     Responda a estas perguntas sobre o texto “O homem nu.”

a) Qual era o desejo do homem nu ao se ver trancado fora de casa?
b) O que o impedia de realizar esse desejo?

9 -    Assinale a alternativa que expressa o principal conflito do protagonista, isto é, do personagem mais importante de “O homem nu”.




LEMBRETE
            A oposição entre o desejo e o que impede sua realização chama-se conflito. Pode ser um choque             de interesses, de opiniões, de comportamento entre dois ou mais personagens, ou de um personagem            com a natureza, ou até de um personagem consigo mesmo. É por meio do conflito que se estrutura o       enredo de uma narrativa.

(   )O marido quer tomar banho, mas a mulher já se trancou no banheiro.
(    )O cobrador virá receber a prestação, mas o devedor está sem dinheiro.
(     )O homem nu está do lado de fora do apartamento e não consegue entrar em casa.
(    )O elevador começa a subir e o homem nu pensa que é o cobrador.


O momento da narrativa em que a sequência de acontecimentos atinge o  mais alto grau de tensão chama-se clímax.

1 -     Qual é o momento de mais tensão, de mais nervosismo no texto?

                       
2.    De acordo com o texto  escreva com suas palavras os elementos do enredo de “O homem nu.
                            
a) Conflito inicial

O homem não tem dinheiro para pagar a prestação da tv e não quer atender o cobrador.

b) Tentativa de solução do conflito inicial
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c) Conflito 2
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d) Clímax
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e) Situação final
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


12 -   Numere as ações, mostrando a sequência dos acontecimentos.

a.     A porta do apartamento se fecha, deixando o homem para fora.  (        )
b.     O marido pega o embrulho do pão.     (        )
c.     O marido põe a água para esquentar. (        )
d.     O marido entra no elevador e aperta o botão de emergência.       (        )
e.     A mulher vai para o banho.  (        )
f.     A mulher abre a porta.  (        )
g.     O homem e a mulher decidem fingir que não estão em casa.   (        )
h.     A mulher desliga o chuveiro.    (        )
i.      O elevador começa a subir.     (        )
j.      O marido tira a roupa para tomar banho. (        )
k.     O marido toca a campainha do apartamento.    (        )
l.      O cobrador da televisão bate à porta.    (        )
m.    O marido grita e esmurra a porta, alertando os vizinhos.    (        )

13 -   Em vários momentos, o autor criou suspense no texto. Localize dois trechos em que isso ocorre e cite os números dos parágrafos correspondentes.

14 -   Retire do texto “O homem nu três palavras ou expressões que marcam o tempo na narrativa.


15 -  Releia esta frase do texto e faça o que se pede.

            Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro (...)

       a) Assinale a alternativa que explica o sentido do trecho sublinhado.

(     ) Expressa uma consequência.
(      ) Indica uma causa.
(     ) Estabelece uma comparação.

     b) Reescreva essa mesma frase, substituindo a palavra como por outra palavra ou expressão de sentido equivalente. Faça as alterações necessárias.





Crônica: Mila
Carlos Heitor Cony


           Era pouco maior do que minha mão: por isso eu precisei das duas para segurá-la, 13 anos atrás. E, como eu não tinha muito jeito, encostei-a ao peito para que ela não caísse, simples apoio nessa primeira vez. Gostei desse calor e acredito que ela também. Dias depois, quando abriu os olhinhos, olhou-me fundamente: escolheu-me para dono. Pior: me aceitou.
Foram 13 anos de chamego e encanto. Dormimos muitas noites juntos, a patinha dela em cima do meu ombro. Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?
          Amá-la — foi a resposta e também acredito que ela entendeu isso. Formamos, ela e eu, uma dupla dinâmica contra as ciladas que se armam. E também contra aqueles que não aceitam os que se amam. Quando meu pai morreu, ela se chegou, solidária, encostou sua cabeça em meus joelhos, não exigiu a minha festa, não queria disputar espaço, ser maior do que a minha tristeza.
           Tendo-a ao meu lado, eu perdi o medo do mundo e do vento. E ela teve uma ninhada de nove filhotes, escolhi uma de suas filhinhas e nossa dupla ficou mais dupla porque passamos a ser três. E passeávamos pela Lagoa, com a idade ela adquiriu "fumos fidalgos'; como o Dom Casmurro, de Machado de Assis. Era uma lady, uma rainha de Sabá numa liteira inundada de sol e transportada por súditos imaginários.
        No sábado, olhando-me nos olhos, com seus olhinhos cor de mel, bonita como nunca, mais que amada de todas, deixou que eu a beijasse chorando. Talvez ela tenha compreendido. Bem maior do que minha mão, bem maior do que o meu peito, levei-a até o fim.
          Eu me considerava um profissional decente. Até semana passada, houvesse o que houvesse, procurava cumprir o dever dentro de minhas limitações. Não foi possível chegar ao gabinete onde, quietinha, deitada a meus pés, esperava que eu acabasse a crônica para ficar com ela.
Até o último momento, olhou para mim, me escolhendo e me aceitando. Levei-a, em meus braços, apoiada em meu peito. Apertei-a com força, sabendo que ela seria maior do que a saudade.


1) Nesse texto, o cronista revela o enorme sentimento de amor entre ele e seu cão, do momento da adoção até o dia em que o levou para o sacrifício. 

a) Que trecho do texto revela o primeiro e o último contato entre o cronista e seu cão? 

b) Você já viveu ou vivencia experiência semelhante?

2) Com que propósito, na sua opinião, o cronista publicou essa história em um jornal? 

3) É comum a ideia de que são as pessoas que escolhem os seus animais de estimação. Segundo o cronista, no momento da adoção foi Mila que o escolheu como dono.

a) Por que você acha que o cronista inverteu essa ideia? 

b) Em que outro momento o cronista confirma essa idéia?

4) Leia os versos a seguir. A partir da ideia ou imagem que transmitem, estabeleça uma associação com alguma situação narrada na crônica de Cony. 

Observação: para cada estrofe faça uma associação com a situação do texto, isto é, terá três associações. 


a) "A estrela cadente
     me caiu
    ainda quente
    na palma da mão.
       [...]"
                     (Paulo Leminski)

b) "O vento está dormindo na calçada,
      O vento enovelou-se como um cão...
      Dorme, ruazinha... Não há nada..."

                                              (Mário Quintana)

c) "Aquilo que ontem cantava
      já não canta.
     Morreu de uma flor na boca:
    Não do espinho na garganta."

                                        (Cecília Meirelles)

5) Localize, na crônica, expressões que caracterizam:

a) o narrador como carinhoso e amigo.
b) Mila como pequena e carinhosa. 





Leia o texto e depois responda as questões. 

Leia o texto, e em seguida responda as questões de 1 a 10.

                          Química da Digestão

            Para viver, entre outras coisas, precisamos de energia. Como não podemos tirar energia da luz do sol para viver, como os vegetais, essa energia usada pelo nosso organismo vem das reações químicas que acontecem nas nossas células.
           Podemos nos comparar a uma fábrica que funciona 24 horas por dia. Vivemos fazendo e refazendo os materiais de nossas células. Quando andamos, cantamos, pensamos, trabalhamos ou brincamos, estamos consumindo energia química gerada pelo nosso próprio organismo. E o nosso combustível vem dos alimentos que comemos.
No motor do carro, por exemplo, a gasolina ou o álcool misturam-se com o ar, produzindo uma combustão, que é uma reação química entre o combustível e o oxigênio do ar. Do mesmo modo, nas células do nosso organismo, os alimentos reagem com o oxigênio para produzir energia. No nosso corpo, os organismos são transformados nos seus componentes mais simples, equivalentes à gasolina ou ao álcool, e, portanto, mais fáceis de queimar.
             O processo se faz através de um grande número de reações químicas que começam a se produzir na boca, seguem no estômago e acabam nos intestinos. As substâncias presentes nesses alimentos são decompostas pelos fermentos digestivos e se transformam em substâncias orgânicas mais simples. Daí esses componentes são transportados pelo sangue até as células. Tudo isso também consome energia.
A energia necessária para todas essas transformações é produzida pela reação química entre esses componentes mais simples, que são o nosso combustível e o oxigênio do ar. Essa é uma verdadeira combustão, mas uma combustão sem chamas, que se faz dentro de pequenas formações que existem nas células, as mitocôndrias, que são nossas verdadeiras usinas de energia.




1 - O texto afirma que o nosso corpo pode ser comparado a uma fábrica porque

(a) reage quimicamente pela combustão.
(b) move-se a base de gasolina ou álcool.
(c) produz energia a partir dos alimentos.
(d) utiliza oxigênio como combustível.

2 - “Tudo isso também consome energia” (4º parágrafo ). No trecho, a expressão em    destaque se refere a

(a) fermentos digestivos..
(b) combustíveis.
(c) reações químicas.
(d) usinas de energia.

3 – Depois de processadas pelos fermentos digestivos, as substâncias são levadas para


(a) a boca.
(b) as células.
(c) o estômago.
(d) os intestinos.

4 - As mitocôndrias são essenciais para o funcionamento do nosso corpo porque são   responsáveis por


(a) digerir os alimentos.
(b) produzir energia.
(c) renovar as células.
(d) transportar o oxigênio.

5 - Este texto pode ser considerado um artigo de divulgação científica porque apresenta:

(a) explicação detalhada sobre um acontecimento recente.
(b) expressões coloquiais para exemplificar o processo da digestão.
(c) linguagem figurada para descrever o processo de combustão.
(d) uma explicação muito complexa.

6 – O texto trata

(a) da constituição do aparelho digestivo.
(b) da digestão como fonte de energia.
c) dos cuidados para uma boa alimentação.
d) dos elementos que compõem o corpo humano.



ORDENANDO PARÁGRAFOS


Nossas Cidades

Enjaulados, enquanto não fizermos desse zoológico um jardim mais verde, mais limpo, mais saudável, menos neurótico, a única solução é sairmos de vez em quando para respirar ar puro, beber água de verdade, ouvir o silêncio, sentir os cheiros da vida e reconquistar a tranquilidade perdida.
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Você, por exemplo, respira de 20 mil a 30 mil vezes por dia, inspirando de cada vez mais ou menos meio litro de ar. Cerca de 30% desse ar enche 350 milhões de minúsculos compartimentos no pulmão, onde o sangue troca o venenoso dióxido de carbono por oxigênio, sem o qual a vida é impossível. Nas grandes cidades, o ar contém centenas de toxinas que prejudicam o desenvolvimento normal das células. Os gases que escapam dos veículos a gasolina, por exemplo, impedem a perfeita oxigenação do sangue e provocam alergias, doenças do coração e câncer. O monóxido de carbono é assimilado pelos glóbulos vermelhos 200 vezes mais depressa que o oxigênio. E o chumbo, derivado do tetraetileno de chumbo, é prejudicial acima de 100 milionésimos de grama por metro cúbico de ar, concentração que já existe em qualquer cidade de tamanho médio no Brasil.
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Nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto; são enormes zoológicos humanos, onde vivemos em condições que não são naturais para a nossa espécie e onde corremos perigo também de enlouquecer de tensão, de adoecermos de civilização, pelo nariz, pela boca, pelos ouvidos.
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É a água que bebemos? Os rios, principal fonte de água potável, são usados como canais de esgoto e despejo. A vida animal, na maior parte dos rios que abastecem as grandes cidades, já não existe, porque a vida é impossível, não está para peixe. Esse líquido clorado, recuperado, da nossa era higiênica tem pouca coisa a ver com a água potável, de nascente, digna de peixe e de homem. Estações de tratamento, filtros, toda a química disponível não consegue esconder que estamos bebendo um líquido que supre as nossas necessidades vitais, mas que é chamado água apenas por hábito.
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Dor de cabeça, fadiga excessiva, nervosismo, distúrbios de equilíbrio, afecções cardíacas e vasculares, anemias, úlceras de estômago, distúrbios gastrintestinais, neuroses, distúrbios glandulares, curtos-circuitos nervosos, tudo isso pode ser provocado pelo barulho das grandes cidades. E nem é preciso que seja barulho excessivo, porque, na maior parte das vezes, ele já é incomodo e contínuo.
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Além disso, estamos ficando surdos. Em cada cem cariocas (ou paulistas, ou gaúchos), dez têm problemas de audição e cinco foram vítimas da poluição sonora. Hoje em dia há duas vezes mais pessoas surdas do que há dez anos, e a gente da cidade só ouve a partir de 36 decibéis, 10 na melhor hipótese, enquanto o homem do campo ouve ruídos de até 1 decibel.

(LOBO, L. Turismo em foco. Ano IV, n. 19. p.19)

VOCABULÁRIO
Afecção – doença.
Anemia – diminuição de hemoglobina do sangue, fraqueza, debilidade.
Decibel – unidade de medida da intensidade do som.
Dióxido de carbono – substância tóxica derivada do carbono.
Inspirar – fazer o ar entrar nos pulmões; oferecer uma base, um fundamento; criar disposição para determinada ação.
Monóxido de carbono – substância tóxica derivada do carbono.
Tensão – corrente elétrica; esticamento; rigidez; estado de ansiedade ou angústia, estresse.
Tetraetileno de chumbo – substância tóxica derivada do chumbo.
Toxina – substância tóxica segregada por seres vivos.



1 - O texto “Nossas cidades” apresenta os parágrafos desordenados, isto é, fora da ordem em que foram escritos pelo jornalista Luís Lobo. Recorte os parágrafos e ordene-os, de forma que o texto tenha sentido.

2 -  O uso do parágrafo. A maioria dos textos é estruturado em parágrafos. Você sabe o que são parágrafos? E qual a sua função em um texto? Os parágrafos dividem o texto em partes e servem para organizá-lo, mostrando a mudança de assunto dentro do mesmo. Cada parágrafo começa afastado da margem, é iniciado com letra maiúscula, termina com um sinal de pontuação adequado para o tipo de frase que foi escrita. Agora que você já sabe o que é um parágrafo, indique abaixo a ideia central de cada um deles.

a) 1º parágrafo: _____________________________
b) 2º parágrafo:______________________________
c) 3º parágrafo:______________________________
d) 4º parágrafo:______________________________
e) 5º parágrafo:______________________________
f) 6º parágrafo:______________________________

3 - Depois de lido o texto “Nossas cidades” podemos dizer que a região onde moramos – Hortolândia – assemelha-se as cidades descritas no texto? Justifique sua resposta.

4 - O autor prefere definir as nossas cidades como “zoológicos humanos”, e não como “selva de asfalto e concreto”. O que você acha que querem dizer as expressões “zoológicos humanos” e “selva de asfalto e concreto”?

5 - Na questão anterior o autor usou aspas nas expressões: “zoológicos humanos” e “selva de asfalto e concreto”, explique o porquê do uso deste sinal de pontuação. Porém, para isso, leia com atenção a regra a seguir.

ASPAS: são usadas no início e no final de citações; para destacar palavras estrangeiras e gírias; para indicar a fala de pessoas, de personagens; ou ainda em palavras para destacar o seu sentido usado fora do habitual, normal.



 Fonte


6 comentários:

  1. Olá, adorei seus textos, bem como as atividades. Existe a possibilidade de enviar o gabarito? Desde já agradeço.

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  2. seus textos são maravilhosos. Existe a possibilidade de enviar o gabarito? Desde já agradeço.

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  3. lá, adorei seus textos, bem como as atividades. Existe a possibilidade de enviar o gabarito? Desde já agradeço.

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  4. Olá, por gentileza teria mandar o gabarito da Crônica Chatear e encher. Desde já agradeço.

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  5. Olá, por gentileza teria mandar o gabarito da Crônica Chatear e encher. Desde já agradeço.

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